Geminação com Bickenbach renova laços históricos entre Brasil e Alemanha e transforma antigas raízes em uma ponte para o futuro
Separadas por milhares de quilômetros, São Pedro da Serra e Bickenbach, na Alemanha, têm agora algo em comum que vai muito além da história. A partir desta semana, cada uma passa a guardar simbolicamente um pedaço da outra.
A frase, dita pelo presidente da Câmara de Vereadores de São Pedro da Serra, André Mallmann, resume o significado do encontro realizado na quarta-feira, 7 de outubro, quando o município recebeu uma comitiva de aproximadamente 45 pessoas vindas da Alemanha.
“Agora nós temos um pedaço de terra na Alemanha e os que vivem em Bickenbach têm em São Pedro da Serra um pedacinho de Brasil”, afirmou Mallmann durante a solenidade que oficializou o intercâmbio entre as duas comunidades.
A visita começou durante a tarde, quando os alemães tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da cultura, da arte e das tradições de São Pedro da Serra. Entre os momentos mais simbólicos esteve a apresentação de crianças de 8 a 10 anos, que cantaram em alemão para os visitantes.
Para quem veio de Bickenbach, ouvir crianças brasileiras mantendo viva a língua de seus antepassados foi mais do que uma apresentação. Foi uma demonstração de que a história da imigração alemã continua presente e sendo transmitida às novas gerações.
História que atravessa gerações
À noite, o encontro ganhou um significado ainda maior. Na Câmara de Vereadores, representantes dos dois municípios participaram da assinatura do termo de intercâmbio, formalizando a aproximação entre São Pedro da Serra e Bickenbach.
Presidente do Legislativo, André Mallmann destacou que conhecer a história é também uma forma de preparar o futuro. Lembrou ainda a forte presença da herança germânica no município, onde existem mais de 100 sobrenomes de origem alemã.
O prefeito Luiz Augusto Hartmann ressaltou outro elemento fundamental dessa identidade: o idioma.
Segundo ele, a língua alemã continua presente na maioria das famílias de São Pedro da Serra, mostrando que a cultura trazida pelos imigrantes não ficou restrita aos livros de história. Ela permanece viva no cotidiano, nas famílias e nas novas gerações.
A vice-prefeita Patrícia Löff conduziu o protocolo da solenidade e também fez questão de destacar o trabalho desenvolvido pela professora e historiadora Vera Steffen Schmitz na preservação e valorização da memória e das raízes germânicas do município.
Da Alemanha ao Rio Grande do Sul
Se durante a tarde os visitantes conheceram São Pedro da Serra, à noite tiveram contato com outro universo cultural que, para muitos deles, era completamente novo.
Depois da solenidade, a comitiva participou de uma festividade no CTG. A música, a dança, os costumes e o ambiente do tradicionalismo gaúcho despertaram a curiosidade e o encantamento dos alemães.
Era, de certa forma, um encontro de culturas: descendentes daqueles que um dia deixaram a Alemanha apresentando aos seus conterrâneos parte da identidade que construíram do outro lado do oceano.
Maravilhados com a experiência, os visitantes já deixaram a promessa de retornar o mais breve possível.
A visita termina, mas o intercâmbio apenas começa. O que foi construído ao longo de gerações agora ganha uma nova dimensão, aproximando duas comunidades que descobriram que, apesar da distância, possuem muito em comum.
Bickenbach e São Pedro da Serra deixam de ser apenas nomes ligados pela história. Passam a ser, oficialmente, duas comunidades ligadas por uma ponte cultural que olha para as raízes, mas aponta para o futuro.